sexta-feira, 10 de abril de 2009

VC TEM PORQUINHO-DA-INDIA APRENDA OS CUIDADOS E SAIBA COMO VIERAM PRO BRASIL


DOCILIDADE COBERTA DE PÊLOS
De temperamento agradável e porte de bichinho de pelúcia, o Porquinho-da-Índia ganha clubes especializados e brilha na Europa.

O Porquinho-da-Índia (Cavia porcellus) é conhecido por vários nomes: Cobaia, Coelhinho-da-Índia, Cuí, Porco-da-Guiné e Preá, este último, na verdade, um parente próximo que vive na natureza (Cavia aterea). Confunde-se também com coelho ou mesmo com hamster. Mas se isso é freqüente no Brasil, o mesmo não acontece na Europa, onde os Porquinhos são tão populares que existem clubes especializados em vários países e até participam de exposições de beleza. Isso mesmo, eles são julgados por juízes credenciados, como se faz com cães e gatos.

Na Alemanha, há vários shows de Porquinhos-da-Índia. O mais importante, realizado todos os anos em maio, na cidade de Frankfurt, chega a registrar a participação de mais de 600 exemplares em três dias, um para o julgamento propriamente dito e os outros dois abertos ao público, quando são comercializados produtos e filhotes. Os bichinhos são acondicionados em gaiolas individuais e um dos juízes (até quatro por exposição) verifica a pelagem, o porte, a saúde e outras características e anota as observações (qualidades e defeitos) em uma ficha afixada em cada gaiola. Os melhores de cada espécie competem entre si pelos prêmios (faixas e troféus) de melhor da espécie e da exposição. Os filhos de campeões ficam valorizados e têm, logicamente, maior procura nos dias seguintes. Além de promover exposições, os clubes organizam também eventos sociais e editam revistas, com informações aos associados e, como não poderia deixar de ser, concorridos classificados de compra e venda de Porquinhos-da-Índia. Têm-se notícias desses clubes na Alemanha, na Inglaterra e na Holanda, alguns com mais de 10 anos de existência.

"O que há de tão especial nesse pequeno roedor?", você pode se perguntar. Qualquer criador lhe responderá: o temperamento. Acostuma-se facilmente com a presença de pessoas e chega até a pedir carinho.

O Porquinho é extremamente tímido ao primeiro contato. Para se adequar bem ao ser humano deve ser acostumado desde pequeno. Ao se sentir ameaçado pode morder, embora o faça raramente. Um exemplar que nunca foi carregado quando pequeno, pode se estressar ao viver a experiência nas primeiras vezes. Um Porquinho-da-Índia macho chega a pesar entre 1 e 1,2quilos e a medir 25 centímetros quando adulto. Já as fêmeas são mais leves, com aproximadamente 20 centímetros de comprimento e entre 800 e 900 gramas de peso.

A facilidade de criação agrada muito aos admiradores desse pequeno roedor. Por serem comunitários, convivem bem em grupo. Somente há brigas entre machos durante o cio das fêmeas. "Nessa época, coloco os casais em gaiolas separadas dos demais para que possam acasalar sem a 'intromissão' dos outros machos", observa Sérgio Lopes, criador há seis anos, atualmente com 21 Porquinhos. "Seus hábitos são basicamente noturnos, mas eles também gostam de passeios durante o dia, comem, correm um pouco e brincam com os 'companheiros' (com mordidas leves), e depois, tiram uma sonequinha rápida", comenta Sérgio.

GRITINHOS
Um erro de navegação é o responsável pelo nome Porquinho-da-Índia. No século XVI, quando os navegadores espanhóis buscavam um novo caminho para as Índias, em busca de especiarias, aportaram por engano em terras sul-americanas, mais exatamente no atual Peru. Após provarem "churrascos" de um certo animalzinho que os nativos conheciam por Cuí (e assim o chamam até hoje por causa dos seus gritinhos, semelhantes ao som emitido pelos porcos), simpatizaram com ele e o adotaram como mascote. Voltaram para o velho continente com vários deles nas malas e um nome equivocado: Porquinho-da-Índia. Mas as confusões não pararam por aí. Logo após a chegada à Espanha, os "Porquinhos-da-Índia" peruanos se transformaram em moda e " ganharam" toda a Europa e o "Novo Mundo", não como alimentação, como eram e ainda são utilizados no Peru, mas como animais de estimação. Em inglês, esses roedores são chamados de Guinea Pigs. "Existe uma teoria de que tal nome lhe foi atribuído porque os navegantes (agora ingleses), ao retornarem da América do Sul trazendo o 'mascote predileto da Europa', paravam na Guiné, um país da costa africana. Ao saber da parada, as pessoas achavam que o bichinho vinha da Guiné, e não do Peru", explica o criador alemão Michael Schleissner, um aficcionado por Porquinhos há 32 anos. E ele continua: "Outros atribuem o nome Porco-da-Guiné ao preço que era cobrado pelos marinheiros ingleses pelos bichinhos, um Guinea, uma moeda de ouro muito utilizada na época".

Seja qual for a origem de seus muitos nomes, nada mudou o seu temperamento após todos estes séculos. A mesma docilidade e facilidade de criação que os fizeram populares como mascotes, também os fizeram bons animais de laboratório. Estudantes e pesquisadores de todo o mundo utilizam Porquinhos-da-Índia em seus experimentos, quer seja em aulas ou em testes de vacinas e medicamentos.

CURTO E LONGO
A partir do primeiro contato com os europeus, começaram a se valorizar certas características do Porquinho-da-Índia, como o comprimento dos pêlos e a intensidade das cores. Os criadores de então iniciaram a realizar cruzamentos que resultaram em exemplares de pêlos longos, outros curtos, brilhantes ou não. Isso originou a divisão dos Porquinhos-da-Índia em sete raças. Elas variam de uma para outra apenas pelo tipo de pelagem:

Pêlo curto, ou Inglês: com pêlos curtos e macios, é o mais utilizado pelos laboratórios.
Roseta, Abissínia ou Revoltado: possui pêlos curtos e ásperos. Sua pelagem, distribuída de forma a criar rosetas (redemoinhos), cria a impressão de estar despenteado.
Pêlo Longo ou Angorá: de pêlos macios e longos, é um dos preferidos na Europa. É chamado carinhosamente de "bola de pêlos que anda".
Satin Shorthair: com a pelagem curta, difere do Inglês pelo brilho dos seus pêlos, mais intenso.
Shorthair com Topete: como o nome sugere, é semelhante ao pêlo curto, diferenciando-se apenas pelo topete formado de pêlos ásperos.
Satin Longhair: é um Angorá de pelagem brilhante.
Longhair with curls ou Texel: pêlo longo ondulado e crespo (com mechas), lembra uma ovelha.
Os padrões mudam de um país para outro no tocante às cores ou combinação de cores aceitáveis. Isso se dá, segundo Michael, "devido à falta de uma entidade mundial que unifique os padrões de raças". O consenso seria para as cores sólidas, como branco, preto, areia, chocolate e cinza. Combinações de duas (bicolor) ou três cores (tricolor) são aceitáveis. "Podem apresentar desenhos simétricos ou mesmo irregulares, desde que não participem na formação de cores a combinação de preto, creme e wild (cor "selvagem", entre o cinza e marrom). Já para as variedades de pêlo longo, é desejável uma mistura maior de cores", acrescenta Michael.

Sobre o cruzamento entre espécies, a lógica explicada por Michael Schleissner é a seguinte: do acasalamento entre um pêlo curto e um de pêlo longo, resultam filhotes de pêlo curto. Fazendo cruzamentos entre irmãos dessa ninhada, o resultado será uma mutação, o Longhair with curls. Se um pêlo curto portador do gene de pêlo longo acasalar com um pêlo longo, os filhotes serão Satin Longhair (pêlo longo brilhante). Aconselha-se evitar o cruzamento das variedades de pêlo brilhante entre si. Esse procedimento pode gerar, não se sabe ao certo porque, descendentes mortos. Nesse caso, devem-se cruzar exemplares de pêlos brilhantes com de pêlos curtos.

CASINHA
Rústico, o Porquinho-da-Índia se adapta bem a qualquer ambiente. Exige somente um local bem seco e que receba a luz do sol em uma boa parte do dia. Não necessita de técnicas complicadas nem mesmo de manutenção ou instalações especiais. Quanto maior a quantidade de exemplares em uma mesma gaiola, maior a freqüência de limpeza, já que fica mais difícil para os Porquinhos circularem sem pisar na sujeira. Michael sugere, a quem começa, uma gaiola de 3200 centímetros quadrados para um casal. Esse é um bom espaço para eles organizarem melhor a rotina diária, composta de passeios e brincadeiras, além da própria higiene. Um cercado de grades aramadas é outra opção para acomodá-los. Em um metro quadrado pode-se ter aproximadamente um casal e seus filhotes. A espécie não tem força suficiente nas patas traseiras, nem facilidade para escalar. Por isso, o cercadinho não precisa de teto, o que facilita a alimentação e higienização do viveiro por parte dos criadores. Mas é preciso cuidado com os eventuais predadores, como gatos, cães e ratazanas. Para completar o conforto e proteger os Porquinhos do frio, o ideal é oferecer uma casinha coberta, de um metro por 20 centímetros, com piso de madeira. O ideal é que eles permaneçam em temperaturas entre 18 e 22 graus centígrados e com umidade variável entre os 40 e 70%. Na fase de procriação, as fêmeas necessitam de mais espaço: aproximadamente sete Porquinhos por metro quadrado. O piso pode ser de tela fina ou de ripas de madeira, com alguma distância do chão para facilitar a limpeza. Outra opção é forrar o fundo da gaiola com raspas finas de madeira e removê-las quando estiverem sujas. Não use serragem. Por ser fina demais pode causar problemas respiratórios.

"O grande segredo para que a criação de Porquinhos-da-Índia tenha êxito é a limpeza das instalações", aconselha a veterinária e professora da disciplina "Animais de Laboratório" da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, Nívea Lopes de Souza. Nesse ponto, todos os criadores são unânimes. A maioria das doenças que acometem a espécie provem da falta de higiene nas instalações. É o caso da sarna, micose ou adenite cervical, uma infecção perceptível por um aumento de volume em vários pontos na região do pescoço do Porquinho, que pode ser transmitida por meio de suas secreções nasais e oculares a toda a colônia. Daí a importância de limpar os viveiros com a maior freqüência possível e nunca passar mais de três dias sem fazê-lo.

LAMBIDAS
Quanto à higiene, os próprios Porquinhos se encarregam dela. Lambem-se individualmente ou uns aos outros, de forma similar à dos felinos. Quem o tem como animal de estimação não precisa banhá-lo. Já os freqüentadores das "pistas" costumam tomar banho uma vez por mês (sempre com água morna, em dias quentes, e com xampu neutro). Nas variedades de pêlo longo, aconselha-se também a escovação semanal (no sentido contrário ao do crescimento da pelagem) para retirar pêlos mortos, evitando assim que embaracem.

O "prato principal" do Porquinho-da-Índia criado domesticamente deve ser ração. A de coelhos tem balanceamento adequado. Pode-se complementar com uma parte de "alimentos verdes" para cada dez de ração. Ele gosta muito. Come vegetais de todo tipo: grama, capim, folhas de árvore, cenoura, verduras (exceto o alface, que pode causar diarréia), feno, batata, milho, tomate e aí por diante. "Adoram se esconder por baixo de montes de grama e comer lá dentro", relata Sérgio. A quantidade a ser fornecida deverá ser a suficiente para que todas comam e não sobre nada. Sabe-se que eles ainda estão com fome quando vagueiam com as cabeças baixas e cheiram o chão à procura de alimentos. As sobras devem ser retiradas após as refeições para evitar a presença de moscas ou a contaminação por fungos. A doutora Nívea recomenda também fornecer alimentos ricos em vitamina C, como verduras e capins, diariamente. Esse procedimento ajuda a evitar o escorbuto, como é chamada a doença provocada pela carência da vitamina citada.

As fêmeas prenhes e com filhotes podem receber um reforço alimentar à base de aveia, que ajuda a aumentar a produção de leite. O primeiro cio acontece a partir dos três ou quatro meses de idade. A fêmea, segundo Sérgio, só estará madura para o acasalamento a partir do 6°mês de vida. Percebe-se que ela está em condições de acasalar quando fica mais agitada e com a vulva inchada. É hora de escolher o macho para o "casamento" e separar o casal dos demais. O Porquinho começa a "dançar" em volta da parceira com movimentos lentos e mexe a boca, como quem mastiga algo com os dentes da frente. Quando ela também está "a fim", começa a dar gritinhos e repetir o movimento de bater os dentes do macho.

A gestação dura de 60 a 72 dias e gera de um a quatro filhotes por ninhada (eventualmente podem nascer cinco ou seis, mas é raro). Os Porquinhos recém-nascidos são bastante desenvolvidos. Nascem com os olhos abertos e cobertos de pêlos. Correm atrás da mãe por onde quer que ela vá. Isso pode causar o pisoteamento deles pelos Porquinhos adultos, até pela própria mãe, que quase sempre se mostra um tanto desajeitada ou, principalmente, pelo pai, que já assedia a fêmea que entra no cio - acredite se quiser - por volta de apenas seis horas após o nascimento dos filhotes. A separação da mãe dos outros animais é aconselhável nessa fase. Durante a lactação, os filhotes se alternam nas duas mamas da fêmea por duas a quatro semanas. A seguir, passam a se alimentar com os adultos. Para se identificar o sexo ( o que somente é possível após os três meses de vida), deve-se pressionar levemente a região em torno de um orifício situado próximo ao ânus. O órgão reprodutor feminino se apresenta como uma pequena fenda. Se for macho, o pênis aparecerá. Ao se determinar o sexo ou ao se carregar um Porquinho não acostumado com pessoas, é aconselhável o máximo de delicadeza para que os delicados ossinhos não quebrem. O ideal é segurá-lo com uma mão na parte anterior do corpo e com a outra nas patas traseiras, para que ele não se debata na tentativa de se libertar.

9 comentários:

  1. Gostaria de saber o que faço já que a mãe dos filhotinhos morreu apos 14 dias de nascido, como sera a alimentação deles agora?
    Aguardo a resposta, desde já mto obrigada.
    Su.

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  2. posso pegar o filhote recem nascido no colo, ou sera que a mae naõ oamamentara mais?

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. estou muito feliz com o nascimento dos primeiros filhotinhos de porquinho da india aqui em casa o que faço?

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  4. Vcs só podem pegar um filhote depois de uma semana de vida,eles tem que se amamentar.Se a mãe morreu apos 14 dias não tem problema pode dar capim e ração normal.

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  5. Nasceu dois filhotes hj 19/08/10 muito bunitinhos a barriga da mãe está cordinha e parece que tem mais um, tem como nascer alguns depois ?

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  6. Meu porquinho da Índia teve filhotes hoje (26/09/10) , e estou muito ansiosa para poder pegar o unico filhotinho no colo!! Com quantos dias posso pega - lo?

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  7. vc só pode pegar ele com 7 dias depoisde ter nascido

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  8. Eu tenho dois porquinho da india angora e estou preocupada pq um deles esta caindo os pelos, já tem partes de seu corpo sem pelo algun e ele anda com muita fome, isso é alguma espécie de doença.

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